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Uma das salas do Ministério das Finanças foi o cenário escolhido para a celebração do contrato de financiamento bancário que vai materializar o Projecto Integrado de Desenvolvimento Agrícola e Rural da Quiminha, uma iniciativa dos Projectos Aldeia Nova lançada há cerca de 2 anos. À cerimónia de assinatura, realizada no dia 28 de Janeiro de 2010, estiveram presentes representantes do próprio Ministério e do grupo de bancos e de agências de seguro de crédito europeias e israelitas, liderados pelo ING Bank da Holanda – que discutiram as condições do crédito concedido – para além do director-geral dos PAN, José Cerqueira, e da empresa encarregue da empreitada, o Grupo Tahal. A selecção dos diversos bancos foi feita em função dos países de onde os equipamentos vão ser importados. Para a Direcção-geral da Aldeia Nova, este é o projecto que, até à presente data, envolve o orçamento mais elevado – cerca de 143 milhões de euros, o equivalente a mais de 200 milhões de dólares. De salientar que, neste caso, não existe qualquer financiamento pela parte do Estado. Todo o capital foi conseguido junto de entidades financeiras internacionais que estudaram ao pormenor a viabilidade do empreendimento. Antes de se concluir esta fase de captação de créditos, o projecto sofreu algumas alterações em relação ao primeiro contrato assinado entre as partes executantes, contrato esse que previa um desenvolvimento agrícola e hidroeléctrico, aproveitando a proximidade da Barragem da Quiminha. A alteração mais importante foi o abandono da vertente hidroeléctrica por não existirem informações suficientes sobre a barragem, o que obrigava à execução de um estudo técnico exaustivo. Esta mudança obrigou a alocar na área agrícola as verbas previstas para a parte eléctrica. Em consequência foi necessário criar um anexo que, depois de trabalhado, foi incluído no contrato agora assinado. Chegou o momento tão esperado para dar o primeiro passo no terreno: mobilizar os recursos, a começar pela montagem do estaleiro de obras, a cargo da Tahal. Comparando-o com o projecto do Waco Cungo, este é mais pequeno – alberga apenas 310 famílias contra as 800 instaladas no município da Cela. As principais actividades produtivas serão ovos, tomate e cereais. À semelhança do projecto do Waco Cungo a selecção das famílias beneficiárias será feita por outras entidades parceiras do PAN. A grande novidade deste projecto da Quiminha é ter incluído também a criação de 64 fazendas particulares, ocupando uma área total de 3.200 hectares. Características principais Para o assentamento das 310 famílias serão edificadas moradias individuais com 100 m2 cada, infra-estruturas, abastecimento de água, tratamento de águas servidas, rede de estradas, etc. Os edifícios públicos ocuparão uma área total de 1.400 m2. Para a parte produtiva serão criadas 300 quintas familiares com a dimensão de 3 hectares cada lote, um dos quais com sistema de irrigação. Em complemento cada família terá um aviário para produção de ovos com capacidade para 288 galinhas, ou seja, cerca de 70 mil ovos por ano. O fornecimento de galinhas poedeiras, insumos e comercialização de ovos será realizado por uma unidade central. Toda esta estrutura irá beneficiar de serviços de suporte técnico e comercialização. A produção de grãos e vegetais será desenvolvida na unidade comercial que comporta uma área irrigada de 900 hectares. Para as 64 fazendas particulares, de 50 hectares cada, será construída uma rede de estradas com sistemas de drenagem e instalado um sistema principal de abastecimento de água com capacidade para irrigação. Entre estas, 10 fazendas serão equipadas com abastecimento de água e energia até o portão de entrada. O Centro Logístico que irá apoiar toda esta estrutura será composto por três unidades principais: - A dos serviços agrícolas, com depósito de suprimentos de insumos e todo o tipo de maquinaria própria – tractores, ceifeiras mecânicas, implementos agrícolas, camiões e outros veículos, apoiados por uma oficina – para além de efectuar os serviços de comercialização e transporte, fará o tratamento pós colheita dos vegetais: limpeza, selecção, empacotamento, armazenagem a frio, venda e entrega para o mercado. Os serviços de comercialização respondem pela distribuição de sementes, mudas e suprimento de insumos, pela recepção dos produtos, manuseio e embalagem, pela venda da produção e pela colecta de pagamentos feitos a fazendeiros. O centro de pós-colheita disponibilizará o alojamento de embalagem de vegetais, armazenamento de frio, silos e armazenamento de grãos. - A unidade central do projecto de ovos, constituída pelo pavilhão central com capacidade para criação de 87 mil galinhas poedeiras por ano, pela unidade de empacotamento e comercialização de ovos e por um galpão para suprimento de rações e insumos, também prestará serviços de assistência técnica. - A unidade de assistência técnica e treinamento, instalada em edifício próprio com laboratório e oferecendo as facilidades normais de um centro de formação, prestará serviços de treinamento de 2 anos e cursos de treinamento e dias de campo com suporte multidisciplinar de especialistas israelitas. Plano agrícola A estratégia definida pelos técnicos do Grupo Tahal assegura resultados graças ao planeamento detalhado e orientado para o mercado. Durante o último ano realizou esforços significativos para definir o plano agrícola mais apropriado e identificar as óptimas condições para a implementação do projecto. Isto inclui a determinação de um contexto de comercialização sólido e realista, aquisição de dados climáticos locais fiáveis e avaliação e selecção de condições apropriadas de solo. Foi com base nestes elementos, e levando em consideração tecnologias aplicáveis, que se definiram os produtos mais apropriados a serem produzidos no Projecto Quiminha, tanto nas unidades familiares como nas comerciais. Assegurar a venda de produtos Foram realizados estudos com o objectivo de determinar as quantidades máximas que podem ser comercializadas, sem o fornecimento em demasia, ao mercado de Luanda e definido um valor realista e conservador, à porta do produtor, para os produtos a serem produzidos no projecto. Para tal foram colectadas informações de primeira mão sobre a importação de produtos por mar e ar para a região de Luanda, acompanhadas por visitas feitas a mercados atacadistas e mantiveram-se discussões com comerciantes e produtores. A tabela seguinte resume os resultados, apresentando as quantidades diárias máximas a serem enviadas para o mercado e os preços planeados, assumidos, para a avaliação económica do projecto. |