Projecto Aldeia Nova - Aldeamentos em Angola
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Quarta-feira, 08 de Setembro de 2010 O Projecto Aldeia Nova arrow Os projectos a caminho arrow Cana de açúcar arrow Cana-de-açucar na alimentação das vacas leiteiras do PAN
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Cana-de-açucar na alimentação das vacas leiteiras do PAN Imprimir E-mail
Escrita por: Antonia Onofre   
Porque a cana-de-açúcar é uma planta que tem uma elevada capacidade para transformar energia luminosa (luz solar) em energia química, principalmente em sacarose que atinge 18 a 25% da matéria seca (rico em fibra), e porque a maturação acontece nos meses coincidentes com a época do cacimbo -quando as condições ambientais tornam as pastagens mais escassas e deficientes em energéticos e proteínas - a cana assume-se como um importante suplemento de volumoso e de energia para o gado bovino durante o período seco. Está a ser bastante usado em muitos países tropicais, onde o seu uso se está a generalizar. O Centro de Transferência de Tecnologias de Raças com Aptidão Leiteira da Embrapa, no Brasil, recomenda o tratamento do gado com a cana-de-açúcar triturada “porque, além de eficaz, é mais simples que outras técnicas”. "A grande vantagem do uso da cana-de-açúcar não é armazenar em silo, e sim, armazenar em pé", afirma o veterinário e pesquisador Moacir Saueressig, coordenador daquele centro de pesquisa (Agronegócio de 26/07/2008).  A cana-de-açúcar tem ainda vantagens na alta produção de matéria seca (média entre 60 a 150 t/ha); é uma planta com ciclo semi-perene (a renovação necessária, faz-se em ciclos de quarto ou cinco anos); mantém valor nutritivo por períodos longos após a maturação; é bem aceite e consumida pelos animais (volumes de cerca de 6% do peso vivo de matéria fresca/dia); e é de relativo baixo custo de produção. Por saber disto passamos a estimular o uso forrageiro e, já durante o cacimbo de 2008, o ProCana promoveu o fornecimento gratuito das pontas verdes da cana da propagação das sementes a alguns criadores interessados das fazendas médias e aldeias da região do município da Cela. Em 2009 ampliou-se o número de interessados, ao ponto de virem criadores da Quibala pedir as sobras do corte, e recebermos solicitações e informações de diversos lugares do Cuanza Sul e Huambo. Neste começo de 2010, e com a chegada das vacas leiteiras ao aldeamento 12, os técnicos responsáveis pela zootecnia, os directores do sector e da logística do Projecto manifestaram interesse na cana picada para o uso diário a todas as 800 vacas leiteiras das aldeias PAN, com um consumo diário de 5 toneladas/dia de cana picada.Com altos teores de açúcar (energia) que conferem digestibilidade acima de 60%, a cana-de-açúcar apresenta, no entanto, teores baixos de proteína bruta e de alguns minerais como enxofre, fósforo, zinco e manganês. Para suprir a deficiência desses minerais, basta o produtor fornecer aos animais um sal mineral de boa qualidade e, para corrigir os baixos teores de proteína, utiliza-se a ureia pecuária (sem biureto) que é uma fonte de nitrogénio não-proteico (NNP) para suprir com nitrogénio os microrganismos que convertem NNP em proteína microbiana. Os resultados das pesquisas recomendam a adição à ureia de uma fonte de enxofre (sulfato de amónia ou de cálcio) na proporção de nove partes de ureia e uma parte de sulfato de amónia (50 quilos de ureia + 5,5 quilos de sulfato de amónia ou de cálcio) para melhor resposta animal.Utilizando um quilo da mistura de ureia com enxofre para cada 100 quilos de cana-de-açúcar picada, o teor de proteína bruta na forragem é aumentado de 2 a 3% para 10 a 12% na matéria seca. Porém, o uso de ureia para ruminantes deve ser feito de forma adequada, caso contrário poderá levar à intoxicação por amónia e até perda do animal. Como usar A cana-de-açúcar pode ser usada como fonte forrageira na alimentação de bovinos confinados ou em pastoreio; neste caso, como uma forma de resolver problemas relacionados à baixa disponibilidade de matéria seca da pastagem. Em ambos, a cana deve ser picada e não triturada, para efectivamente reduzir o comprimento da fibra e melhorar o seu consumo. Para pequenos plantéis, a colheita pode ser feita manualmente e a cana transportada em carretas ou carroças para ser picada, em picadeiras estacionárias, próximo do local de fornecimento. No caso de um número maior de animais, usam-se máquinas forrageiras que cortam, picam e carregam numa única operação. A limitação mais séria ao uso da cana reside, como observado acima, no seu baixo teor de proteína bruta e degradabilidade da fibra, resultando em baixo consumo. Nessas condições, o uso isolado da cana-de-açúcar não é capaz de atender nem mesmo às necessidades de manutenção do animal. Mas o uso, associado com uma fonte proteica, tal como a ureia + sulfato de amónio, pode resultar em ganhos de até 300 g/cabeça/dia. A mistura recomendada é de 9% e 1 a 1,5% de sulfato de amónio ou de cálcio.Poderá fazer-se uma fase de adaptação de uma semana. Nesta fase de adaptação, usar apenas 0,5 kg da mistura para os mesmos 100 kg de cana picada. A mistura ureia + sulfato de amónio pode ser preparada e guardada. A aplicação da mesma sobre a cana é feita da seguinte forma: - Para cada 100 kg de massa de cana picada, já distribuída na manjedoura ou no campo, aplicar a mistura ureia + sulfato de amónio diluída em 3-4 litros de água, com a ajuda de um regador. Essa distribuição deve ser a mais uniforme possível; - Para ganhos na faixa de 500 g/cabeça/dia, há necessidade de se acrescentar, à cana tratada, concentrados proteicos de origem vegetal.   - Para animais em confinamento, com ganhos entre 600 e 700 g/cabeça/dia, há a necessidade do uso de misturas proteico-energéticas (por exemplo, 80% de milho e 20% de farelo de soja) fornecidas na base de até 2,5 kg por animal/dia. Neste caso, atenção especial é necessária em termos de retorno económico, visto a baixa conversão alimentar normalmente obtida quando se usa cana. Talvez esta forma deva ser usada apenas como uma estratégia para explorar a alta no preço do boi ao final da entre-safra, confinando animais com peso vivo médio acima de 400 kg. Como misturarTecnologia cana-de-açúcar + ureiaA mistura recomendada é nove partes de ureia e uma parte de sulfato de amónio ou oito partes de ureia e duas partes de sulfato de cálcio.A tecnologia é simples e envolve, basicamente, os seguintes passos:- Preparo da mistura ureia e fonte de enxofre.- Prepara-se a mistura de ureia e sulfato de amónio do seguinte modo:Numa área cimentada e seca, despeje 9 quilos de ureia; acrescente 1 quilo de sulfato de amónio e misture bem - para outras quantidades, use pesos proporcionais; ensaque a mistura e guarde em local seco, fora do alcance dos animais.- Colha a cana cortando-a rente ao solo.- Retire as folhas secas e passe a cana na picadeira, aproveitando também as pontas.- Junte a mistura de ureia e sulfato de amónio à cana da seguinte maneira:Na 1ª semana ou período de adaptação:Dissolver meio quilo da mistura num regador contendo quatro litros de água; com essa quantidade, regue cada 100 quilos de cana picada que foi colocada no cocho; misture bem, e a cana estará pronta para ser consumida pelos animais.- Uma vez preparada, a mistura ureia + fonte de enxofre deve ser guardada em sacos plásticos em local seco e fora do alcance dos animais.Esta mistura pode ser preparada em quantidades suficientes para alimentar o rebanho por vários dias.Exemplo: 1 parte de sulfato de amónio + 9 partes de ureia ou 2 partes de sulfato de cálcio + 8 partes de ureia. · Primeira semana (período de adaptação): 0,5% de ureia na cana.  Ex: Para cada 100 kg de cana picada, adicionar 500 g da mistura ureia + fonte de enxofre, diluída em 4 litros de água. · Segunda semana em diante: 1% de ureia na cana-de-açúcar.  Ex: Para 100 kg de cana picada, adicionar 1 kg de ureia + fonte de enxofre, diluída em 4 litros de água.Obs: A diluição da mistura ureia + fonte de enxofre em água é indicada para facilitar e assegurar a incorporação uniforme de ureia à cana-de-açúcar.A solução de 4 litros de água + 1 kg de ureia + fonte de enxofre é distribuída por um regador sobre os 100 kg de cana picada e incorporada, visando uma mistura homogénea antes de fornecer aos animais, evitando os riscos de intoxicação pelo aumento de ureia em alguma parte do cocho Cuidados na utilização da ureiaÉ importante lembrar alguns cuidados recomendados para utilização de ureia para ruminantes.1. Os animais devem ser inicialmente adaptados ao consumo de ureia. Não usar em quantidades superiores às recomendadas anteriormente;2. A ureia deve ser misturada de forma homogénea aos alimentos, a fim de se obter uma ingestão regular desse alimento;3. Deve ser fornecida misturada ao alimento diariamente, sem interrupções;4. Usar manjedoura cobertos e com furos para dreno de água;5. Uma boa suplementação mineral quando se usa ureia é extremamente necessária para se obter um bom desempenho dos animais;6. Nunca use ureia dissolvida em água de beber dos animais ou em bebedouros;7. É importante um acompanhamento técnico para escolha e adequação de um método que se adapte às condições de cada propriedade. Sintomas de intoxicação por ureiaOs sintomas de intoxicação por ureia apresentados pelos animais são os seguintes:· Agitação· Salivação em excesso· Falta de coordenação· Tremores musculares· Micção e defecção frequentes· Respiração ofegante· TimpanismoNo caso de intoxicação, utilizar como antídoto duas garrafas de vinagre por animal, logo aos primeiros sinais, da seguinte maneira:· Coloque o bico da garrafa no canto da boca do animal e deixe o vinagre descer goela abaixo;· Movimente o animal quando estiver dando vinagre;· Não puxe a língua do animal para dar o vinagre; com isso, se evita que o vinagre vá para os pulmões do animal e o asfixie.Obs: Deve-se recorrer ao veterinário da fazenda, caso necessário.Importante:· Se for adequadamente utilizada, conforme as recomendações técnicas mencionadas, a ureia não causa intoxicação. Essa só ocorrerá em caso de ingestão em períodos curtos ou em quantidades acima das recomendadas. 

Como plantar

A área a ser plantada é calculada em função do peso e número de animais a serem suplementados, do número de dias de suplementação, da produção de massa esperada por hectare e da quantidade diária a ser fornecida por animal. Supondo-se: - produtividade esperada de massa verde de 120 t/ha. - número de animais - 100 - período de suplementação - 150 dias - peso médio/cabeça - 300 kg - fornecimento diário - à vontade (6% do peso vivo/cabeça/dia de massa verde) Tem-se: 100 animais x 300 kg/cabeça x 0,06 x 150 dias = 270.000 kgAssim dividindo estes 270.000 kg pelos 120.000 kg de massa verde/hectare calcula-se 2,25 hectares. Considerando-se uma margem de segurança de 10% tem-se: 2,25 x 1,1 = 2,5 hectares, aproximadamente.  Solo - Os mesmos usados para cultivos de soja ou milho são apropriados, corrigidos com calcário segundo o mesmo critério adoptado para essas culturas. O solo deve ser bem preparado com arações e gradagens, para permitir uma boa operação de plantio. Correcção do solo/adubação - A calagem, quando necessária, deve ser feita no mínimo 60 dias antes do plantio.  Plantio - O plantio é feito no início das águas (Outubro/Novembro) ou mais tardiamente (Janeiro/Março). No primeiro caso, a produção estará disponível para corte na estação seca a seguir, mas, no plantio tardio, esta só poderá ser usada no ano seguinte. O solo já preparado e com calcário deve ser sulcado à distância de 1,20 m, com sulcos de aproximadamente 25 cm de profundidade. Os adubos necessários para plantio são aplicados no fundo do sulco e a seguir, também no fundo do sulco, são colocados os pedaços de colmos com três a quatro nós (um após o outro em número de dois). Alternativamente, pode-se dispor canas inteiras em número de duas, cruzadas, pés com pontas e cortá-las posteriormente com uma catana, dentro do próprio sulco. Para o plantio de áreas extensas, pode-se usar máquinas que sulcam, adubam e plantam numa mesma operação e, neste caso, os colmos devem ser cortados antes. Os colmos devem ser cobertos com uma camada de terra de 5 a 10 cm. Usar sempre mudas sadias, maduras (oito a doze meses) e de variedades reconhecidamente produtivas e bem adaptadas. Para melhor distribuição da produção ao longo do período de suplementação, recomenda-se, sempre que possível, usar uma variedade precoce (por exemplo, NA 5679) e uma variedade tardia (por exemplo, CB 45-3). Para plantio de 1 hectare, são necessárias de oito a doze toneladas de cana, ou cerca de 0,1 hectare de viveiro para cada hectare plantado.  Adubação - Por ocasião do plantio, todo o fósforo, potássio e, eventualmente, algum nitrogénio recomendado para ser usado nesta fase, devem ser aplicados no fundo do sulco. Sugere-se, na ausência de alguma indicação técnica mais precisa, aplicar de 700 a 900 kg/ha da fórmula 04-14-08, ou 500 a 600 kg de 05-25-20 ou similar, considerando sempre uma aplicação de 120 a 150 kg de fósforo por hectare no plantio.Mas o ideal, porém, é proceder a uma adubação com base numa análise de solo, específica para cana, e assistida por um técnico da área. Cerca de 60 dias após a germinação, aplicar de 50 a 60 kg/ha de nitrogénio, em cobertura, ao longo das linhas de plantio. Para garantir boa persistência do canavial, entre quatro a cinco anos, adubações anuais com nitrogénio, fósforo e potássio são importantes. Recomenda-se usar 80 kg/ha de nitrogénio dividido em três parcelas durante o período de chuvas; 45 kg/ha de P2O5 e 90 kg/ha de K2O, numa única aplicação no início das chuvas em cobertura. Retorno do esterco dos currais e das áreas de confinamentos para a cultura é altamente recomendável.
 
Recomendações gerais- Usar a mistura de ureia com sulfato de amónio nas quantidades recomendadas e observar o período de adaptação.- Não fornecer a mistura de cana e ureia à vontade aos animais que estiverem em jejum.- Não armazenar a cana cortada por mais de dois dias.- Picar a cana e fornecer logo aos animais. Não aproveitar as sobras do dia anterior; usá-las como adubo orgânico.- É absolutamente necessário fornecer sal mineral e água à vontade aos animais.- Evitar acúmulo de água de chuva nas manjedouras. A ureia dissolve-se com facilidade na água, e o seu acúmulo na manjedoura pode intoxicar e matar os animais.- O uso de milho, na forma de fuba, e de farelos, como os de soja, de algodão e de arroz, contribui fornecendo mais nutrientes, faz aumentar o consumo de cana e, consequentemente, os ganhos de produtividade, seja o aumento da produção de leite e o ganho de peso dos animais. Com este acordo de fornecimento diário estabelecemos o valor do custo operacional e de produção que beneficiará a construção e desenvolvimento do Jardim de Infância a ser criado este ano para os filhos dos trabalhadores que totalizam actualmente 296 crianças entre 0 e 12 anos, no viveiro do Waco Cungo e acrescenta mais um serviço de parceria e acção social.  Bibliografia consultadaGONÇALVES, C. C. M.; TEIXEIRA, J. C.; OLALQUIAGA PÉREZ, J. R. et al. Desempenho de bovinos de corte a pasto suplementados com ureia e amireia 150S no período seco. In: REUNIÃO ANUAL DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE ZOOTECNIA, 40., 2003, Santa Maria, RS. Anais... Santa Maria: SBZ, 2003.LOPES, H. O. S. Suplementação de baixo custo para bovinos: mineral e alimentar. Brasília: EMBRAPA-SPI, 1998. 107 p.LOPES, M. A.; SAMPAIO, A. A. M. Manual do confinador de bovino de corte. Jaboticabal: FUNEP, 1999. 106 p.TORRES, R. A.; COSTA, J. L. Uso da cana-de-açúcar na alimentação animal. In: SIMPÓSIO DE FORRAGICULTURA E PASTAGEM, 2., 2001, Lavras, MG. Anais... Lavras: UFLA, 2001. p.1-14.PETROBRAS. Ureia pecuária Petrobrás: informações técnicas. [Rio de Janeiro]: Petrobrás, [199-]. 23 p. 
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