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Hoje a cana-de-açúcar é considerada, internacionalmente, como um produto de excelência para dois importantes sectores: o alimentar agrícola e o das energias renováveis.
No novo modelo de produção, a cana é processada para produzir açúcar e bioetanol, sendo a energia do local optimizada para exportar o excedente na forma de electricidade. A razão açúcar/etanol pode ser variada consoante os preços do mercado. O Governo decidiu recuperar este tipo de indústria, totalmente paralisada, já que existem regiões muito propícias à produção de cana-de-açúcar. Inicialmente o principal objectivo será para terminar com a importação de açúcar para consumo humano, mas aproveitando as novas tecnologias industriais e os novos produtos provenientes da cana, Angola poderá, a curto prazo, passar para a situação de exportador de açúcar e/ou etanol para os mercados preferenciais existentes. A indústria baseada na produção intensiva da cana-de-açúcar é, em si mesma, técnica e comercialmente viável, para além de oferecer também muitos outras vantagens ao país. O maior beneficio, na actual conjectura nacional, será a criação de postos de trabalho. Prevê-se que a primeira propriedade a ser instalada no município da Cela - um projecto encomendado pela Aldeia Nova ao Crescent Group - empregue directamente cerca de 10.500 pessoas, muitas das quais em tarefas agrícolas relativamente pouco especializadas. A informação existente sobre outros projectos de agricultura da cana em todo o mundo sugerem que o multiplicador de postos de trabalho apropriado - tendo em conta serviços de apoio, lojas e outros semelhantes - é igual a três e, portanto, o número total de empregos criados por essa primeira propriedade poderá ser cerca de 30.000. É igualmente importante o facto de também serem criados postos de trabalho a todos os níveis de competência, incluindo cientistas com formação universitária, engenheiros, contabilistas e pessoas com formação noutras disciplinas comerciais. Prevê-se que esta primeira propriedade se concentre na produção de açúcar para o mercado interno e electricidade para autoconsumo e fornecimento do excedente à vizinhança imediata. Provavelmente não irá produzir bioetanol, mas irá vender o melaço produzido como ração animal. Os estudos feitos calculam que as taxas de rentabilidade interna do projecto se situam acima dos 25%. As previsões não são particularmente sensíveis ao custo de capital do projecto mas, como é de esperar, são mais sensíveis aos custos operacionais e aos preços de venda pressupostos. Com base nos dados disponíveis prevê-se que a primeira propriedade produza anualmente cerca de 2 milhões de toneladas de cana nos 25.000 hectares. No entanto a parte industrial do trabalho foi concebida de modo a poder duplicar facilmente esses valores. Isso significa que se Angola desenvolvesse cinco propriedades, com a capacidade duplicada, produziria 20 milhões de toneladas de cana e poderia empregar 250.000 pessoas. A quantidade de cana deve ser considerada à luz da produção do Brasil: cerca de 600 milhões em 2006. Perante o vasto potencial existente no país, a expectativa para o desenvolvimento desta indústria não se limita somente a uma propriedade. Para além de outras empresas que se mostram interessadas na exploração da cana-de-açúcar, a Aldeia Nova já lançou trabalhos de prospecção numa outra região considerada adequada para tais práticas. O mais importante é que Angola tem à sua disposição fortes mercados de exportação, tanto para o açúcar como para o bioetanol produzido. |