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Depois de se ter registado a morte de algumas cabeças de gado bovino na Aldeia 1, fomos procurar a médica veterinária responsável pela área para conhecer as razões clínicas. Como a veterinária Catherine está no Projecto há poucos meses, e ainda não domina bem o português, delegou no seu colaborador Matania Ben Yahuda, também israelita, a tarefa de responder às nossas perguntas.
Qual tem sido o estado geral das vacas, pelo menos desde que aqui chegou ? Normal, mas temos tido um problema com os cascos dos animais. Na Aldeia 1, onde se encontra uma grande parte de vacas leiteiras, o terreno dos pastos ainda não está bem drenado, é muito húmido e lamacento, o que faz com que o casco amoleça. Mas o mais grave é durante as caminhadas diárias que os animais fazem para as salas de ordenha, porque as estradas estão cheias de pedrinhas que penetram nos cascos amolecidos com facilidade causando infecções com microrganismos. Depois contagiam as outras vacas. Temos feito um combate a estas infecções com sulfato de cobre e outros antibióticos. E com a alimentação, tem havido problemas ? Esse tem sido um dos maiores problemas. Se o gado se alimentar devidamente, podem surgir problemas mas o seu impacto é menor. Depois de uma vaca parir, por exemplo, as suas exigências nutritivas são maiores. Com estas deficiências alimentares nota-se um decréscimo na quantidade de leite quando são ordenhadas e ainda podem vir a criar problemas na fecundação seguinte. É bom que os que cuidam da forragem, do capim elefante, do milho, dos adubos, consigam ultrapassar esta situação. Os agricultores, por sua vez, devem cumprir com os horários e dar a cada animal as quantidades de alimentação correctas. A produção depende de uma alimentação correcta ? Exacto. Os animais que temos são de uma raça leiteira e se queremos ter o máximo rendimento é necessário respeitar as condições exigidas, dar ao gado os nutrientes que precisa. Temos vacas que já chegaram a produzir 30 litros por dia mas que não conseguiram manter este nível. Neste momento estamos a produzir mais de uma tonelada de leite por dia. Não é uma produção fraca mas, pelo número de vacas e pela sua qualidade, deveriam dar muito mais. Soubemos que já morreram algumas vacas. Pode nos dizer exactamente as causas da morte, já que nos falou de infecções ? É natural que morram alguns animais. A questão é saber se são em número aceitável, como foi o caso. Na realidade, devido ao atraso das vacinas surgiu uma enfermidade chamada "febre-de-três-dias" e, entre as poucas que foram infectadas, três vacas acabaram por morrer. Muito recentemente morreram duas, vítimas das tais infecções através dos cascos. Neste caso os animais chegaram a um ponto em que não conseguiam pôr-se em pé, deixaram de comer devidamente, foram enfraquecendo cada vez mais e o corpo veterinário decidiu sacrificar esses animais. Tem havido problemas durante os partos? Todos os animais quando aqui chegaram eram novilhas e, normalmente, o primeiro parto é mais difícil em relação aos seguintes. Mas no que se refere às nossas vacas e vitelas, a mortalidade é mínima. Para os vitelas estamos a utilizar um sistema artificial e eficaz para os alimentar que é feito através de biberão. Assim, depois do parto, o vitela só tem de ficar com a mãe durante cinco, seis horas. A partir dai deixa de haver aproximação entre a vaca e o vitela. Por enquanto só a Aldeia 1 é que possui vacas. Está prevista a recepção de mais animais ? Na Aldeia 1 todos os criadores já foram contemplados com os respectivos cinco animais. É possível que venhamos a substituir as novilhas que não tenham útero, que não tenham cio ou outro problema qualquer. Nestes casos teremos que as substituir no próximo lote previsto para a Aldeia 3 onde também estão a ser construídos cerca de 40 estábulos. Ali estamos agora a criar todas as condições necessárias para as receber: fazendo cercas, semeando o capim elefante, um serviço que está a ser feito em conjunto com os beneficiários do Projecto. Com o volume de trabalho a aumentar a cada dia que passa, acha que o corpo veterinário é suficiente para responder a todas as exigências ? Não. Nós por enquanto temos a Dra. Cathy, que chegou recentemente, eu e poucos mais. É preciso que venha mais pessoal de nível médio e alto, sobretudo angolanos. A Dra. Cathy está à espera de um veterinário angolano para trabalharem juntos. Já temos alguns veterinários e inseminadores mas este número é muito reduzido. São precisos também técnicos para ensinar os criadores a trabalhar com o gado porque nem todos estão preparados para esta labuta. Têm material e equipamentos suficientes para os vossos trabalhos ? Quanto aos equipamentos para o tratamento das vacas, acho que temos tudo aqui. Sobre os medicamentos estamos bem fornecidos excepto em alguns tipos de vacinas, o que constitui um problema. Mas sabemos que essas vacinas estão para chegar em breve. Como tem sido a relação entre angolanos e israelitas ? O que posso dizer, pelo tempo que estou neste programa, é que a cooperação tem sido das melhores. A qualidade profissional dos técnicos escolhidos pelo lado angolano e pelo lado israelita é muito boa. Os outros trabalhadores angolanos são excelentes, um pessoal inteligente com capacidade de aprendizagem rápida. E com os criadores ? Os poucos problemas que temos registado têm a ver com os agricultores da Aldeia 1. De facto, as vacas dão-lhes muito trabalho e, em alguns casos, pouco tempo lhes resta para a agricultura e outras actividades do campo. É aí que surgem alguns incumprimentos das orientações que por vezes deixamos e que têm afectado os trabalhos. Estamos a melhorar esta situação neste ano para aumentar os rendimentos. |