Projecto Aldeia Nova - Aldeamentos em Angola
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Quarta-feira, 08 de Setembro de 2010 O Projecto Aldeia Nova arrow Apresentação do projecto arrow Centros de logística arrow Entrevista com Senhora Amélia Agria, responsável pela Fábrica de Rações do centro no Waco Cungo
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Entrevista com Senhora Amélia Agria, responsável pela Fábrica de Rações do centro no Waco Cungo Imprimir E-mail
Escrita por: Aldeia Nova   

Senhora Amélia Agria, Projecto Aldeia Nova 

Amélia Agria, formada em Química Orgânica, é a responsável pela Fábrica de Rações do Centro Logístico do PAN no Waco Cungo. Ainda que tenha sido admitida há poucos meses, não é de estranhar a rapidez com que assimilou esta função - onde já aperfeiçoou a eficácia operacional - se tivermos em conta que durante oito anos foi responsável pela produção da fábrica de cimento Cimangola, com sistema operativos e métodos de trabalho semelhantes mas numa escala superior.

Qual é o objectivo desta fábrica de rações?

O principal objectivo é fornecer todos os tipos de ração necessários para os criadores do Projectos Aldeia Nova. Neste momento produzimos principalmente rações para gado bovino e para a avicultura.

Quantos tipos de ração são fabricadas?

Fazemos oito tipo de rações. Na parte avícola temos a ração P1 para pintos de 0 a 8 semanas e a P2 para pintos de 8 a 20 semanas; depois temos a ração para as galinhas poedeiras e também fabricamos três tipos de rações  para os frangos de carnes: uma para a fase inicial, outra para crescimento e outra para acabamento. Na parte bovina produzimos dois tipos de ração, uma para as vacas leiteiras e outra para as novilhas.

E ficam limitados a esses tipos de rações para aves e bovinos?

Por enquanto, sim. Posteriormente penso que vamos também fazer ração para suínos quando começar a criação na Aldeia 11.

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O óleo de soja que produzem é para reforçar a qualidade das rações?

Nós utilizamos o óleo de soja no fabrico das rações para aumentar o valor energético. É um alimento muito rico. Para além do óleo também utilizamos a farinha de soja ou o bagaço proveniente da sua feitura que é rico em proteínas.

Qual é a matéria prima que entra nas rações?

Conforme o tipo de rações temos o milho, a soja, a massambala e os concentrados de vitaminas e proteínas para enriquecer a mistura. Por vezes quando a composição do concentrado não contém cálcio há necessidade de o adicionar. Para outro tipo de ração, como é o caso das vacas leiteiras e das novilhas, para além do milho e da farinha de soja, também temos de adicionar sal. De uma maneira geral trabalhamos com estas composições.

A matéria prima utilizada no fabrico é adquirida na região?

Há uma parte que é local mas como as quantidades ainda não são suficientes temos de recorrer ao mercado para comprar o milho, a soja e a massambala. Depois temos os concentrados. Aí é que é mais difícil porque vem tudo de Luanda e é tudo importado. Este é o nosso maior problemas, não termos concentrados a tempo e horas para produzir a ração. Quando recebemos concentrado temos de fazer muito mais ração em muito menos tempo. Nós devíamos ter uma estocagem de matérias primas para a qualquer momento podermos fornecer ração.

Projecto Aldeia Nova, Waco Cungo, Angola

Mesmo com essas limitações, qual é a produção que se está a atingir?

No mês de Junho atingimos as 285 toneladas e até ao dia 31 de Julho já chegámos às 335 toneladas. Estamos numa fase crescente mas é necessário lembrar que nós vamos aumentando a produção conforme vai aumentado a procura, isto é, com o aumento da exploração avícola e bovina nos aldeamentos. As aldeias ainda não estão todas habitadas nem a produzir.

O ritmo de produção tem sido crescente?

Sim, porque os pedidos têm aumentado. Consoante aumenta a produção nas aldeias a solicitação é maior e temos de dar resposta à procura. Por exemplo esta semana vamos produzir cerca de 55 toneladas de ração só para a parte avícola.

Qual é a capacidade máxima de produção da fábrica?

Está preparada para produzir 10 toneladas/hora, seja qual for o tipo de ração.

Só fornecem ração às aldeias do Projecto?

Não. As aldeias do Projecto são a nossa prioridade mas podemos vender a outros compradores desde que haja excedentes ou noutras condições específicas. Temos, por exemplo, um acordo para fornecer rações para frangos de carne para o complexo de aviários da Munenga por um lado e, por outro, a partir de Agosto vamos começar a fabricar para a Fazenda 16, uma fazenda média privada. Neste caso nós produzimos a ração mas são eles que fornecem a matéria prima e o concentrado.

Projecto Aldeia Nova, Waco Cungo, Angola

O que dizem os criadores da qualidade do produto?

Até este momento não houve queixas. Nem dos criadores das nossas aldeias nem dos privados. Por exemplo os frangos do complexo de aviários da Munenga que foram expostos na feira municipal da Cela atingiram um peso considerável alimentados só com a ração fabricada por nós. Eles são nossos clientes habituais e vão aumentar o volume de compras de ração.

Já foram testados todos os equipamentos e maquinaria da fábrica?

Estão todos perfeitamente operacionais e rodados. Esta fábrica iniciou a sua produção experimental em 2006.

O que falta ainda aperfeiçoar no sistema de produção?

Para mim o que está a causar algumas dificuldade é a falta de um sistema de medição nos silos. Temos três silos grandes para recepcionar o milho, a soja e a massambala, com mais de 2 mil toneladas, mas não temos nenhum medidor para sabermos a quantidade exacta que está no silo. No caso dos silos pequenos - quer os de concentrado que são oito, quer os quatro silos de ração, com uma capacidade de 15 toneladas cada - sabemos quando estão cheios mas à medida que os vamos utilizando deixamos de ter o controlo da quantidade exacta que lá está.

Não existem outros constrangimentos?

Outros constrangimentos são a falta de concentrados a tempo e a horas, como já referi, e a falta de uma empilhadora para facilitar o manuseio das cargas. Não me refiro só ao carregamento e armazenamento dos sacos de ração mas também dos concentrados que vêem de Luanda e que, ainda por cima, não estão acondicionados em paletes. Imagine quando chegam 30, 40, 50 toneladas para serem descarregadas à mão! Temos que recorrer a trabalhadores eventuais. É um trabalho muito desgastante e pouco eficaz.

E quanto à área de serviços da própria fábrica, tudo bem?

De uma maneira geral. Já se fizeram algumas correcções, mas é necessário alterar a localização do gabinete/sala de comandos que está mesmo ao lado da zona de ensacamento. Por mais cuidado que se tenha é impossível evitar a entrada de pó e aqui estão instalados o material informático e o painel electrónico que comanda a fábrica. A acumulação do pó provoca muitas avarias.

E qual será a melhor solução?

Eu penso que o melhor será mudar a zona do ensacamento. É muito mais fácil do que fazer um gabinete fora desta zona e desmontar e voltar a montar o painel electrónico. Aliás devemos ter em conta que a produção vai ser cada vez maior, vai sair cada vez mais ração e então é necessário começar já estudar-se um sistema de saída a granel para as grandes quantidades.

Como esta fábrica é toda automatizada, de quantos trabalhadores precisa?

Até agora temos funcionado com cinco trabalhadores porque, com a baixa produção que tínhamos, não havia necessidade de admitir mais. Como a produção está a aumentar é necessário admitir mais pessoal. As tarefas que têm de executar são poucas: vigiar o painel electrónico de comando durante o fabrico, pesar e adicionar os concentrados através do elevador, ensacar a ração, cozer os sacos e fazer o trabalho de estiva.

Última Atualização ( 04-Dez-2008 às 13:46 )
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